Quando falamos em aprendizagem, falamos em linguagem. Linguagem é comunicação – comunicação para entender a leitura, para se comunicar com o outro, para receber informação do professor, para formular e dirimir dúvidas. Mas afinal, quais são as principais dificuldades de aprendizado?
As dificuldades do procedimento de aprendizagem surgem das deficiências de comunicação. O aluno vivencia um mudo e uma linguagem no ambiente acadêmico e, por vezes, outro mundo e linguagem bem mais distantes no seu cotidiano familiar e social, como se habitasse um outro universo. Há também um problema de linguagem quando o professor que ensina se expressa e se comunica de uma forma em uma aula expositiva para, depois, modificar a forma de se expressar quando cobra o conteúdo ministrado em provas e avaliações. Isto não só causa prejuízo ao aluno no processo de aprendizagem, como o faz se sentir traído, quase como se tivesse sido ludibriado pelo professor com “pegadinhas” distantes da obviedade e da linguagem objetivas ministradas em sala de aula.
O ambiente lúdico indispensável aos anos da pré-escola, que tanto bem faz, que permite ao jovem aluno amar o meio estudantil, adorar ir a escola, também deturpa ao construir um mundo sem limites de faz de conta, uma bolha surreal que cria falsas visões de mundo em um meio estudantil em que tudo é simbólico. Afinal, a escola é uma oficina para o mundo.
Por sua vez, a excessiva competitividade também tem o condão de abalar a empatia entre alunos, tornando-os competidores entre si e o professor um simples árbitro distribuidor de pontos, fabricante de aprovações e reprovações, técnico de competições e não um tradutor do mundo – e é essa a principal função do professor: explicar o mundo para seu alunado.
Dadas estas imprecisões do processo didático de aprendizagem, bem se vê que a perfeição está no equilíbrio. O mestre, ao ministrar o conteúdo, deve atentar para a necessidade de faze-lo de maneira inteligível, porém amena e sedutora. Porém, não pode exagerar, sob pena de perder o foco e ingressar em um mundo perigoso (porque inexistente) o conto de fadas. Deve velar pela boa linguagem no vernáculo, mas não de forma a destoar do cotidiano coloquial do aluno. Deve incentivar êxitos, sem condicioná-los à aprovação, poder, sucesso. Deve mostrar ao aluno, sobretudo, que a felicidade é distinta e distante da vitória. A felicidade deve vir com a satisfação pessoal, não com os pontos da prova.
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